Raça Bísara
O Porco Bísaro
O porco bísaro é uma das raças suínas autóctones portuguesas com história mais antiga. Pernalto, de focinho comprido e orelhas largas e descaídas, manteve-se quase no seu estado primitivo nas terras altas de Trás-os-Montes.
Não é um porco de produção intensiva. É um animal rústico, de crescimento lento, criado ao ar livre — e é isso que dá à carne o sabor, a textura marmoreada e a gordura entremeada que distinguem o fumeiro transmontano.
Ao lado: o padrão oficial da raça, conforme o Regulamento do Livro Genealógico.
Pelagem
Branca, preta ou malhada;
Pele geralmente grossa e as cerdas normalmente compridas, grossas e abundantes.
Cabeça
Grossa e de perfil côncavo;
Crista occipital dirigida para diante;
Tromba espessa e comprida, boca grande;
Orelhas compridas, largas e pendentes, sem contudo cobrirem os olhos;
Face pouco desenvolvida e papada reduzida.
Tronco
Tórax alto, achatado e pouco profundo, com costelas compridas e pouco arqueadas. Dorso comprido, linha dorso-lombar convexa.
Uma raça com história, certificação e futuro
Do berrão de granito ao Livro Genealógico — o essencial sobre a raça bísara.
Origem e história
A criação de porcos no Nordeste Transmontano está documentada desde tempos pré-cristãos: provam-no os berrões — esculturas de granito em forma de suíno — e os tributos sobre suínos nos Forais dos municípios da região. Durante séculos, o porco bísaro foi o pilar da economia familiar destas montanhas.
Criação e alimentação
Regime extensivo tradicional: os animais vivem ao ar livre e só são estabulados no inverno rigoroso. Comem cereais — trigo, milho, centeio, aveia —, hortícolas e fruta; em outubro e novembro vão aos soutos comer a castanha caída. Na Bísaro, esta criação é própria, dentro do Parque Natural de Montesinho.
Certificação DOP e IGP
Carne de Bísaro Transmontano DOP — animais de raça bísara criados de modo tradicional em Bragança e Vila Real. E os produtos: Presunto Bísaro de Vinhais IGP, Alheira de Vinhais IGP, Salpicão de Vinhais IGP, Chouriça de Carne de Vinhais IGP e Butelo de Vinhais IGP. Selos europeus que garantem origem, raça e método.
Conservação da raça
O bísaro quase desapareceu no século XX com o avanço das raças industriais. A recuperação deve-se aos criadores e à ANCSUB (1994), que instituiu o Registo Zootécnico em 1995 e gere o Livro Genealógico. Criar bísaro hoje é um ato de conservação — de uma raça, de um território e de um método.
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Saber mais: Museu Bísaro · ANCSUB · DGADR — Carne de Bísaro Transmontano DOP
O porco bísaro no campo
Criação em regime livre — fotografias da nossa criação.
















